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28/11/2016

O dia que pensei em desistir

Ultimamente venho me sentindo muito cansada, ou melhor: farta!

Estou farta de sair de casa as 17:20h e entrar dentro de um ônibus e só sair às 19h. Estou farta de ter 40 minutos para tomar banho, jantar e ir para o ponto de ônibus. Estou farta de chegar na faculdade e me deparar com problemas absurdos que não consigo resolver. Estou farta das cartas de cobrança. Estou farta daquele professor que humilha os alunos. Estou farta de não conseguir acompanhar 10 disciplinas em um semestre só. Estou farta de ter aulas até a meia noite. Estou farta de chegar em casa à 1h da manhã, com a barriga roncando. Estou farta da minha faculdade. Estou farta do meu curso...!

Momentos assim, nos deixam muitos tristes e de mal com o mundo. Estou seriamente abalada, e sim, pensei um milhão de vezes em desistir de tudo. Mas aí, surge a esperança novamente. 

Em uma das minhas aulas de Cálculo II, era uma quarta-feira, fazia dias que não frequentava as aulas, e não consegui entender nada, havia ido mal na prova, e tudo estava perdido. Foi então, que meu professor N.P. começou a explicar a matéria, e eu parei de pensar em tudo, no meu cansaço, no meu desanimo, nas notas baixas, e comecei a prestar atenção somente na voz dele e no que el escrevia no quadro. Foi ai que eu percebi, que o mal de tudo era eu mesma. 

Eu estava me sabotando, com pensamentos negativos, descrença, pois quando parei de pensar isso e comecei a ouvir a aula de mente limpa, compreendi tudo o que ele estava dizendo, aprendi integrais (e muito bem aprendidas). 

E foi então que eu sorri, e percebi que tinha feito a escolha certa. Percebi que amo aquele lugar, amo as aula, amo meus colegas e amo minha faculdade. Entendi, que eu sou capaz de aprender tudo, sempre pensando positivo. 

Com isso, deixo um pequeno conselho, valiosíssimo para vocês: nunca percam a esperança! Sejam otimistas e tudo vai dar certo. Não desistam no primeiro degrau de dificuldade. Você não é o único a ter problemas, todo mundo passa por isso, e mais, todo mundo pode superar. 💚

30/06/2016

Desabafo: Não vou ser mais professora?

Boa noite. Estive aqui pensando com meus miolos, por que a vida é tão dura com a gente? Sonhamos, planejamos, idealizamos e ela vem e "paaaa" joga um balde a água fria em cima de nossas cabeças. 

Há um ano e meio, eu venho conquistando aos pouquinhos meu sonho, desde crinancinha, de ser professora. Sei que pode parecer bobo ou pequeno, mas esse realmente é meu sonho. Professora. É a resposta que eu sempre dei para quando ouvia a pergunta "o que você vai ser quando crescer?". Sofri, ah como sofri para estar aqui, não só eu, como minha mãezinha, passamos apertos, passamos nervoso, ficamos noites sem dormir, tivemos várias portas fechadas, mas mesmo assim não desistimos. 

No meio de tanto perrengue, surgiu uma luzinha no final do túnel: Aprovada no ProUni! Deus! Não poderia ter nada melhor, as coisas vão dar certo e tudo vai melhorar. Boba, pensei. Só que como já disse, a vida é má. Consegui a bolsa e um mês depois veio a notícia. BOOOM. A bomba explodiu. "Isabela, seu curso vai fechar, a faculdade não tem mais condições financeiras para sustentar o curso de matemática, semestre que vem não haverá mais aulas". 

O quê? Isso não poderia estar acontecendo. 

Senti um choque, um aperto. Parecia que alguém tinha pego meu coração e esmagado com as próprias mãos. Meu Deus, por que isso agora? 

A luz que eu tinha se apagou, o que eu ia fazer? Não iria mais viver meu sonho, não iria mais me tornar uma professora tão boa quanto àqueles que tive. A única coisa que eu podia fazer era chorar, chorar e chorar. Mas sabe de uma coisa, nem tudo é tão ruim assim. Temos nos grandes problemas, as grandes soluções. E bingo! Tudo tinha se ascendido novamente. 

Não só eu, mas todos meus colegas de faculdade, de ambos os cursos que estavam na forca (química, física e matemática) vimos na dor um momento para nos unirmos, pois todos nós tínhamos um objetivo em comum: lecionar. 

Juntos, alunos, coordenadores e professores do Instituto Superior de Educação, carinhosamente chamado de "ISE", pensamos em alternativas, em meios de fazer com que nosso curso e nosso sonho não parasse ali pela metade. E com todo o nosso empenho, união e vontade de continuar, conseguimos três propostas, e elas foram apresentadas à reitoria. Negada. Negada. E mais uma vez, negada. Nenhuma delas foram consideradas "viáveis" pela administração da fundação. Tivemos então uma reunião, e puxa, o que foi aquilo? Um turbilhão de emoções, choro, fúria, apelo! Nós estávamos mais do que nunca unidos, e contra tudo aquilo, não queríamos abrir mão de nosso futuro. 

Tava tudo ferrado, tudo! Só que, eu sei que Deusinho não falha comigo. Ele me mandou, não um professor, nem um coordenador, mas um anjo da guarda! Esse cara, ele salvou a vida de todos nós, simplesmente por amor à profissão, amor aos alunos. Ele se desdobrou em um milhão e conseguiu de um jeitinho apertado encaixar as matérias, fez varias teias, varias compilações. Mas isso não importava, iríamos nos formar! 

A última carta da manga foi jogada á mesa. E sabe qual foi a resposta da reitoria? SIM! Ela disse sim para a proposta. A GENTE VAI SE FORMAR! O SONHO NÃO ACABOU!!!

Queria muito poder agradecer à todos, por termos sido tão unidos e não termos desistido quando a corda estava prestes à se arrebentar. Agradecer por todos acreditarem que sempre há uma esperança. E agradecer por tê-los como companheiros! Espero levá-los para vida toda ❤ 

Somos exatas por amor! 

E à você, meu querido leitor, fica esta mensagem: nunca desista dos seus sonhos, se é seu, pode ter certeza que você vai conquistar. Um beijo. 

21/03/2016

Minha professora de matemática


Estudei a vida toda no mesmo colégio, desde a época do prezinho. Naquela escola aprendi grande parte de tudo aquilo que sei e que sou hoje, e lá no meu colégio (gosto de chamá-lo assim, de meu ), lecionava a melhor das melhores professoras de matemática, a dona Sirlei. Pensa em uma pessoa incrível? Pensou? Agora multiplica ela por 1000, eleva ao cubo e soma com todas as coisas boas do mundo... Essa era a Sirlei. Bem, não vá achando que ela era daquele tipo de professora palhaça, que zoava na sala, ou a que dava uma prova banana pra ninguém pegar recuperação. Não, ela nunca foi assim. O mais importante para ela era que nós aprendêssemos matemática. 

A Sirlei era uma japa alta, de pele morena, olhinhos fundos e mãos gordinhas. Tinha uma timbre inesquecível e a mania de escrever sem estar olhando na lousa. O modo como ela via os alunos, era diferente de qualquer outro professor, pois mesmo que fosse um aluno danado, falador e que não tinha notas lá muito boas, ela acreditava que era possível ele aprender, não só matemática, mas aprender que seus sonhos são possíveis, aprender que por mais que você erre, nunca deve desistir, porque é na persistência que está o segredo do sucesso. 

Ela marcou muitas pessoas, com seus conselhos e com sua presença. Inclusive a mim. No nosso último ano no colégio, na época mais tensa, a hora de decidir que curso fazer, que rumo seguir, ela me disse "Isabela, você tem que fazer aquilo que te faz sorrir, que te deixe com frio na  barriga. O dinheiro? Ele vem, com o tempo, não se preocupe em ser uma advogada, juíza, engenheira de uma multinacional, preocupe-se em ser feliz". Essas palavras fizeram uma reviravolta em minha cabeça, e principalmente em meu coração, e eu fui, com a cara e a coragem, fazer aquilo que me desperta borboletas na barriga, que é lecionar. E o mais legal de tudo, lecionar matemática! E quem sabe um dia, ser para alguém, pelo menos uma fraçãozinha daquilo que a minha japinha fora pra mim. 

Infelizmente, em 2015, Deus quis ter mais um anjo ao seu lado, e a levou pro lado de lá.

Obrigada Sirlei, por me mostrar que posso sim, sonhar e realizar meus sonhos!